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Marginália

Tomás Gutierrez: Dialética do Espectador

Tomás Gutierrez

O programa Marginália dessa semana traz uma análise da Dialética do Espectador proposta pelo cineasta Cubano Tomás Gutierrez Alea ao som da banda Orishas.

A banda cubana, um dos maiores nomes do hip-hop mundial, desembarca no Brasil em dezembro para um show especial de reunião, dentro da plataforma social Honor Sounds.

A Dialética do Espectador proposta por Tomás Gutierrez Alea tira o cinema da categoria de mero espetáculo e discute a necessidade de um cinema verdadeiramente popular.

Ao falar do cinema enquanto popular, Titón não se referia ao cinema que simplesmente é aceito pelo povo, mas a um cinema que também expresse e responda aos interesses populares mais profundos e mais autênticos. Com base nesse critério, um cinema legitimamente popular só poderia desenvolver-se plenamente numa sociedades onde os interesses do povo coincidissem com os do estado,

Não existe dúvida que a massa continua preferindo os produtos mais acabados que lhes são oferecidos pela grande indústria do espetáculo, que se fez popular não no sentido de ser a expressão do povo, dos setores mais oprimidos e mais explorados por um sistema de produção alienante, mas porque conseguiu atrair um público indiferenciado, majoritário, ávido de ilusões.

Sem sairmos dos marcos do cinema-espetáculo , ou do que se convencionou chamar de ficção, são oferecidas diferentes possibilidades em relação  à ênfase que se pode dar a sua condição como espetáculo ou como veículo de ideias, levando em conta que sempre o espetáculo é portador de ideologia;

Liberto de sua interpretação superficial, o cinema, e a arte em geral, deixa de proporcionar apenas um “desfrute estético” para, ao mesmo tempo, contribuir em elevar o “nível cultural de um povo”. Por outro lado, é bom lembrar que quando o cinema, no processo bem intencionado de plasmar seus objetivos – o cumprimento cabal de sua função social – descuida de sua função como espetáculo e ela exclusivamente para a razão (para o esforço intelectual do espectador) reduz notavelmente sua eficiência, pois está esquecendo um aspecto essencial do mesmo: o desfrute.

O cinema capitalista, reduzido à condição de mercadoria, poucas vezes tenta dar uma resposta. Por outro lado (e por outras razões) também o cinema socialista não costuma satisfazer plenamente essa necessidade. No entanto, deve-se dar as premissas para um cinema verdadeiramente, integralmente, revolucionário, ativo, estimulante e ao mesmo tempo – consequentemente – popular.