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Marginália

Saecula Saeculorum e o Sagrado Coração da Terra

O programa Marginália dessa semana revisita o rock progressivo brasileiro ao som das duas bandas mineiras comandadas pelo renomado violonista Marcus Viana: Saecula Saeculorum e O Sagrado Coração da Terra.

A Saecula Saeculorum foi uma lendária banda de Rock Progressivo que criada em 1974. A banda era formada por Giacomo Lombardi (piano e voz), José Audisio (guitarras), Bob Walter (bateria), Edson PláVieguas (baixo), Juninho (bateria) e por Marcus Viana, que depois iria formar o excelente Sagrado Coração da Terra.

O som é de muita personalidade onde é fácil perceber a competência de todos os músicos além é claro das músicas serem muito bem feitas e de muita inspiração.

Os principais instrumentos são o violino, piano, teclados, existem algumas guitarras – segundo o próprio Marcus : “a guitarra era mais forte ao vivo…no disco está por trás…mas é parte fundamental da criação sonora”. A boa voz de Marcus Viana é um detalhe a parte, romântica, tranquila e muito bem empostada.

A banda acabou em 1977 e em 1979 Marcus Viana retorna aos palcos com outra banda emblemática do progressivo brasileiro: O Sagrado Coração da Terra, que une o rock à força dos ritmos tribais ameríndios e à beleza e sofisticação do erudito.

Os textos falam de nosso violento e primitivo ciclo histórico e do advento de uma nova era para a humanidade abordando questões ecológicas e espirituais.Trabalhando com instrumentos eletro-acústicos e herdeiro de uma forte tradição erudita, suas músicas evocam a atmosfera barroca das montanhas de Minas.

Mesmo assim seria impossível enquadrá-la como regional. É uma viagem pelo tempo e pelo espaço às origens e ao futuro de toda experiência musical humana. As melodias são a fusão de toda experiência do eu inconsciente, guardada na memória do espírito: são lembranças orientais, ciganas, indianas e árabes.

O Sagrado teve naturalmente a influência de mestres clássicos devido à formação erudita de Marcus Viana como violinista de sinfônica; principalmente da música de Wagner, Debussy, Ravel, Stravinsky e Villa-Lobos. Existe uma forte raiz afro-ameríndia que se manifesta cada vez mais em nosso trabalho, inclusive com a inserção de músicas com textos traduzidos inteiramente para o Tupi-Guarani e dialetos indígenas como o krenak e yanomame.

De um tema folclórico mineiro, de uma tradição religiosa muito antiga, vem o arquétipo do Sagrado Coração: um fulgurante coração em chamas envolvido em uma coroa de espinhos. O íntimo “real” do homem encarcerado pela fúria de nossos tempos. Um retrato do amor em nossa época: um coração que brilha ainda que ferido e aprisionado nas celas das megalópoles. Uma vida que nenhuma coroa de espinhos vai sufocar, um amor que opressão alguma impedirá que se alastre como uma fogueira e incendeie a fria noite de nossos tempos. Épico e Intenso!