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La Fúria

Rap anos 80 e 90 o início no Brasil

O Rap, rhytm and poetry, tem suas raízes ligadas ao funk, soul e jazz. Em inglês, a palavra significa algo como um “discurso”. E o nome não poderia ser mais apropriado. Na década de 60, em festas populares na Jamaica, algumas pessoas faziam intervenções durante as músicas, falando sobre temas cotidianos das favelas.

As imigrações rumo aos Estados Unidos fizeram surgir as primeiras gravações do gênero naquele país na década seguinte. Mas foi só nos anos 80 que o rap começou a ganhar uma maior visibilidade e se diversificar, até chegar ao que é nos dias de hoje. E nada melhor do que trazer os nomes que mais influenciaram esse percurso e falar um pouco de cada um.

Desde as origens, os grupos buscaram criticar a mídia americana e falar do cotidiano da comunidade afro-americana. Após um início excelente, a qualidade (e regularidade) dos CD’s foram diminuindo na metade da década de 90. Porém, os grupos tiveram uma imensa importância na divulgação do rap, e é muito difícil que você não conheça o ritmo do rap.

Tupac Amaru Shakur é, possivelmente, o rapper mais conhecido que já existiu. Oriundo de uma família envolvida no ativismo em prol de causas negras, 2Pac seguiu esse rumo e baseou suas músicas em discursos sobre o racismo, miséria, problemas da sociedade e na defesa da igualdade e entre os sexos.

NO BRASIL:

Em 1990, os Racionais MC’s lançaram o seu trabalho de estreia, intitulado Holocausto Urbano, através da gravadora Zimbabwe Records. Foi lançado em formato de LP e contava, além das duas músicas da coletânea anterior, com “Pânico na Zona Sul”, “Hey Boy”, “Beco sem Saída” e “Mulheres Vulgares”. Racionais ainda lançou Escolha seu Caminho em 1992 e Raio X Brasil, em 1993. Este último foi considerado o marco da propagação do rap na música brasileira, fazendo os Racionais atraírem mais de 10 mil pessoas por show.

Em 1993, no Rio de Janeiro, MV Bill participou da coletânea Tiro Inicial, que foi crucial para que seguisse na carreira de rapper. Mas seu primeiro álbum, Traficando Informação, só viria em 1999. Com esse álbum, MV Bill recebeu o Prêmio Hutúz de 2000, na categoria álbum do ano.

Também no Rio de Janeiro e em 1993, surgiu o Planet Hemp, liderado por Marcelo D2 com uma espécie de rapcore, misturando elementos do rap com reggae e rock. Seu primeiro álbum, intitulado Usuário, recebeu disco de ouro por 140 mil cópias vendidas. A sua temática foi bastante repreendida pelas autoridades da época, que censuraram o videoclipe de “Legalize Já”, uma clara apologia ao uso da maconha. O entorpecente era tema recorrente nas letras do Planet Hemp, que possuía uma postura totalmente favorável à sua legalização e uso, começando pelo próprio nome do grupo.