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Jornalismo Cultural

Quando o cinema é para todos

O cinema tem a magia de deslumbrar e unir legiões de pessoas pelo mundo. Nesse sentido, é mais que essencial para a formação do cidadão pois agrega no repertório cultural de cada ser humano. Entretanto, boa parte da população não tem o devido acesso à sétima arte, fazendo com que o cinema se torne uma espécie de artigo de luxo e não de cultura e diversão.

O debate da democratização do acesso ao cinema é fundamental para entendermos de onde ele parte e quais são  suas alternativas. O Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), do governo federal, divulgou dados preocupantes: mais de 50% da população de 15 estados brasileiros morava em cidades sem cinema em 2016. Isso se soma ao fato dos preços altos das bilheterias e do fácil acesso às plataformas de streaming atualmente.

 Undercine

Frente à isso, tanto iniciativas públicas quanto independentes são mais que urgentes. Em Londrina, O Undercine já está em sua segunda edição. O projeto que é realizado pela Foxy Lady Produções exibe filmes dentro da lógica do cinema alternativo. Além disso, os filmes são exibidos na concha acústica de Londrina, patrimônio cultural e público da cidade.

Espectadores assistem ao filme Across the Universe (2007), romance em que toda sua trilha sonora são clássicos dos Beatles. 

Estivemos em uma das sessões de exibição do Undercine e pudemos observar o quão necessário ela é. Se tratando de um espaço público, ela agrega pessoas de diferentes classes sociais e idades. O que mais chamou atenção foram as pessoas em situação de rua que se deliciavam com a sessão. Segundo os organizadores do projeto, é frequente a presença deles nas exibições, já que dormem ao redor da concha acústica. Dessa forma, esse cinema garante cultura e atinge públicos que não tem acesso ao cinema em seu dia a dia.

A proposta do Undercine é de se expandir cada vez mais e levar cinema alternativo para lugares alternativos. Além da exibição na concha acústica de Londrina, os organizadores pretendem fechar exibições em bares, vilas culturais e na Universidade Estadual de Londrina (UEL).  O impacto dessa atitude é simplesmente ter mais pessoas – não só tendo acesso ao cinema – mas tendo a capacidade de emergirem em uma aventura audiovisual única que nos leva para os limites do universo.

Confira o Podcast por Leonardo Bueno: