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Marginália

Os arquivos secretos da Itaipu

Itaipu

Essa semana o Marginália fala, ao som de bandas do progressivo mineiro, sobre os arquivos da hidrelétrica de Itaipu entregues a comissão da verdade do Paraná, que retratam a expulsão dos índios Guarani da região de Foz do Iguaçu.

A presença dos Guarani no estado do Paraná começa a ser registrada nos livros de história a partir de 1489, com a chegada dos espanhóis ao território. A partir de 1530 os padres Jesuítas iniciam a conquista espiritual e começam a fundar as Reduções Guarani no território do Guairá. Ao todo foram 13 cidades fundadas nas regiões do segundo e terceiro planalto Paranaense.

Em 1630 os bandeirantes invadem a área buscando conquistá-la para a coroa portuguesa e escravizar os indígenas, que realizam uma fuga épica pelo Rio Paraná até a região de Posadas, na Argentina e Encarnación, no Paraguai.

Porém, durante a fuga, parte desses indígenas decidem permanecer na região de Foz do Iguaçu e estabelecem ali suas raízes e sua cultura. Quase 300 depois, sob a ditadura militar que dominava o país, é construída a gigantesca hidrelétrica de Itaipu, com seu lago de 1350km².

Nos documentos cedidos à Comissão da Verdade do Paraná, por um ex-funcionário que se manteve no anonimato, servidores do setor jurídico da empresa (chamado informalmente de “setor de desapropriações”) posaram para a câmera enquanto ocas ardiam em fogo ao fundo.

O relatório da Comissão da Verdade do Paraná se baseou em relatos de ex-funcionários da Itaipu e indígenas que moravam no local, documentos levados por eles, informações públicas e estudos de pesquisadores para comprovar as expulsões e o tratamento dado pelos funcionários da Itaipu aos indígenas.

Entre as centenas de páginas do relatório, constam vários relatos de atos de violência e ameaças. “Índio tem que tratar no cacete porque eles não gostam de coisa delicada”, disse o ex-servidor à Comissão da Verdade. No depoimento, ele se referiu aos guaranis como uma “cambada de safado sem-vergonha”.

O depoimento de um ex-morador do local reforçou as acusações de uso da força bruta para a expulsão dos moradores, com a participação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): “Apareceu assim, ‘bota fogo na casa’ […] E aí, se não quis sair, aí vinha e tem que botar fogo […] Não dizia por que tinha que sair, não falou nada não. Era só Incra, não tinha polícia”.

A atuação da Itaipu durante a ditadura militar teria o aval do Incra e da Fundação Nacional do Índio, a Funai. Os três órgãos, neste período, eram comandados por militares do alto escalão. “A maioria da diretoria de Itaipu era ligada ao SNI [Serviço Nacional de Informações], o órgão de inteligência do regime”, diz o promotor Olympio de Sá Sotto Mayor, coordenador da Comissão da Verdade do Paraná. A Funai, inclusive, dispunha de “certidões negativas” que indicavam a inexistência de índios no local das inundações.

Para saber mais acesse o link https://theintercept.com/2018/06/12/fotos-funcionarios-itaipu-incendio-indigenas/