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Jornalismo Cultural

“DNA de Dan” escancara perfil conservador de Londrina

DNA de DAN

Como já era esperado, uma pequena confusão marcou o final da apresentação DNA de DAN, do artista curitibano Maikon K, em Londrina. Mas nada que pudesse diminuir o brilho da apresentação. É que o artista permanece nu e com uma substância gelatinosa pelo corpo dentro de uma bolha transparente e uma pessoa que passava pelo teatro do lago Igapó resolveu chamar a polícia. Nós tentamos conversar com esta senhora, mas ela não quis gravar entrevista.

A apresentação encerrou a 15ª edição do Festival de Dança de Londrina, que mais uma vez cumpriu o seu papel questionador. Mais informações sobre a polêmica performance no release abaixo.

FOTO: Victor Nemoto

Respeitado artista Maikon K traz a Londrina “DNA de DAN”, uma dança ritual sobre os processos de metamorfose e transformação. Performance foi reprimida pela PM em Brasília e suscitou debates calorosos sobre a liberdade de expressão na arte

“DNA de DAN” é uma dança-instalação do performer curitibano Maikon K e acontece neste sábado (dia 14), a partir das 16h30, numa bolha inflável e translúcida instalada no palco do Lago Igapó, ao lado da Funcart. A performance é realizada dentro desse ambiente criado por Fernando Rosenbaum. Por três horas, o performer ficará imóvel, enquanto uma substância seca sobre seu corpo, o que faz com que o artista respire cada vez menos. O dilaceramento dessa “pele”, no entanto, é inevitável e, após ser rompida, o artista começa seus movimentos rituais. Trata-se de uma dança em interação com o público, que, a partir das 19h30, poderá ocupar o espaço. Só é permitida a entrada para maiores de 16 anos.

A construção de outra pele, o ambiente artificial e a relação com o público são dispositivos para esta performance, na qual o corpo do artista passa por sucessivas transformações. “Dan” é a serpente ancestral, origem de todas as formas. A dança foi desenvolvida a partir de uma pesquisa sobre arquétipos e elementos espirituais.

O espetáculo causou polêmica na internet depois que K foi preso em Brasília, em julho deste ano, enquanto realizava sua performance em frente ao Museu Nacional da República. O evento fazia parte da programação do Palco Giratório, circulação promovida pelo Sesc. A Polícia Militar de Brasília rasgou a bolha inflável e levou Maikon para a delegacia, onde teve de assinar um termo circunstanciado por ato obsceno. Pouco mais de um mês depois, um grupo de 115 pessoas convocadas pelo Festival Cena Contemporânea reuniram-se no mesmo local e ficaram nuas em torno do artista como protesto à ação da polícia.
A apresentação DNA de DAN já passou por várias cidades do país dentro do projeto do Sesc. Em Londrina, o palco do Igapó foi escolhido por fazer limite entre dois ambientes – aquático e terrestre – o habitat do réptil referenciado pelo performer.

Maikon K trabalha nas fronteiras entre performance, dança e ritual. Sua formação iniciou-se em 1997, nas Artes Cênicas, mas agrega também outras áreas de conhecimento. Graduado em Ciências Sociais (ênfase em Antropologia do Teatro), há 14 anos pesquisa formas de expansão da consciência através de práticas corporais e ritos ancestrais. Em 2015, foi convidado por Marina Abramovic para apresentar DNA de DAN na exposição Terra Comunal, no Sesc Pompeia.