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Edvaldo Santana: o vanguardista que prefere chegar mais tarde

Edvaldo Santana

Edvaldo Santana é a síntese da música independente brasileira. Primeiro, pela carreira extensa (sem aparições no mainstream midiático) com diversos discos e shows, além de parcerias trabalhadas, registradas e espalhadas pelo país desde a década de 1970. Segundo, pela incapacidade dos críticos de conseguirem rotular ou enquadrar o músico em uma linha, vertente ou estilo musical.

Por Emerson Dias

Tanto nós quanto ele discordamos de alcunhas típicas da grande mídia, como “o Tom Waits brasileiro” ou como “Um dos Malditos” (juntamente com Itamar Assumpção, Jards Macalé e a galera da Vanguarda Paulistana, como Arrigo e Paulinho Barnabé, Eliete Negreiros, Ná Ozzetti e grupos como Rumo e Patife Band, entre outros). “Na verdade eu me considero um ‘bendito’ (risos). Sou feliz por ter trilhado uma carreira independente, sem rabo preso e com parcerias maravilhosas”.

Para Edvaldo, as raízes nordestinas (pai piauiense e mãe pernambucana) e a adolescência na periferia operária de uma megalópole (é de São Miguel Paulista) foram a base para a formação musical. Dos pais ouvindo Jackson do Pandeiro e Pixinguinha aos amigos artistas com quem atuou no Movimento Popular de Arte (MPA), tudo virou referência no trabalho do músico e compositor de 63 anos. “Eu tive algumas coisas no meio do caminho, como um primo comunista que me trazia livros, Baudelaire, os discos do Chico de Buarque, algo que não era comum na periferia naquela época”, disse, entre risos.

Ele lembrou também da primeira banda, o Matéria Prima, que teve lançamento em rede nacional pela TV. “Nosso grupo foi lançado no Fantástico, no Silvio Santos e eu já sentia aquela coisa muito falsa. A gente da periferia tem aquele lance da dignidade nordestina. Então, achava tudo sacanagem, jabá, troca de interesses. Ai eu saí da Matéria Prima e começamos a montar com outros caras o MPA, que em 2018 completa 40 anos”, detalhou.

E quanto ao Paraná e Londrina? Edvaldo lembra das parcerias com “finados” importantíssimos, como Leminski e Itamar Assumpção, mas destaca que as amizades que fez por aqui nos anos 1970 seguem até hoje. Entre poetas, músicos e compositores estão Bernardo Pellegrini, Ademir Assumpção e Eduardo Batistella. Confira os detalhes dessa relação entre Edvaldo Santana e a terra vermelha londrinense em nossa reportagem na web TV da AlmA. No vídeo, ele fala também do seu último disco – chamado “Só vou chegar mais tarde” – que, claro, foi produzido totalmente independente.

Entrevista e show realizados em 20 de junho de 2018, no Bar Valentino.
Reportagem e Edição: Emerson Dias
Imagens: Emerson Dias e Bruno Amaral (Jornalismo Periférico)

Discografia:
(2016) Só vou chegar mais tarde- Independente • CD
(2012) Jataí • Independente • CD
(2006) Reserva da Alegria – Tratore – CD
(2003) Amor de periferia • Independente • CD
(1999) Edvaldo Santana • Gravadora Tom Brasil • CD
(1998) Liberdade de expressão • Independente • CD
(1997) Momento MPB • Revista Áudio News • CD coletânea
(1995) Tá assustado? • Gravadora Velas • CD
(1994) Vanguarda da música popular brasileira • Áudio News • CD coletânea
(1993) Lobo solitário • Gravadora Camerati • CD
(1985) Movimento popular de arte • Independente • LP coletânea
(1978) Entranhas do horizonte • Single/CBS • LP
(1975) Matéria – prima • Gravadora Chanteclair • LP