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Marginália

Disciplina: a técnica de produção de Corpos Dóceis

corpo dócil

Essa semana o programa Marginália fala sobre o conceito de corpo dócil ao som do rock mexicano dos anos 70.

É dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado, o corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, os chamados “corpos dóceis”.

O corpo se tornou alvo do poder, descobriu-se que ele podia ser moldado, rearranjado, treinado e submetido para se tornar ao mesmo tempo tão útil quanto sujeitado. O poder age em cada indivíduo para fabricar corpos dóceis. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe.

O corpo foi dobrado pouco a pouco pelo poder, de maneira sutil, através de várias técnicas de dominação. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados. A disciplina aumenta as forças dos corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência).

A coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e a dominação acentuada. A distribuição dos corpos no espaço passa a ter importância. Nos colégios, pouco a pouco o modelo dos conventos se impõe, e o internato aparece como o regime de educação mais freqüente.

Nas fábricas o regime do sino é imposto, anunciando cada entrada, intervalo, reentrada e saída. Importa dominar as forças de trabalho, e tirar delas o máximo de vantagem, neutralizando os inconvenientes (roubos, interrupções, agitações, etc.). “Importa estabelecer as presenças e as ausências, saber onde e como encontrar os indivíduos, instaurar as comunicações úteis, interromper as outras, poder a cada instante vigiar o comportamento de cada um. E como?

Em primeiro lugar, mediante a arte das distribuições. A produção de um corpo dócil só é possível através de uma distribuição no espaço. Cada aluno no seu lugar, cada operário devidamente posicionado na linha de montagem. Otimização do espaço, organização hierárquica do múltiplo para impor-lhe uma ordem. A massa confusa torna-se corpo de trabalho eficiente.

Em segundo, o controle das atividades. O relógio se tornou o grande senhor do nosso tempo. Grade horária, relógio de ponto, sinal de entrada, saída, intervalo. O tempo é precioso, deve ser usado com destreza, o corpo dócil deve ficar concentrado, puro, firme, agir com destreza através das várias etapas de seu dia.

A organização das gêneses. O indivíduo a ser docilizado passa por várias etapas de formação, seu processo é dividido em classes, medido por provas, melhorado através exercícios, vestibulares, cursos de reciclagem. O poder disciplinar concentra-se nos detalhes, acumula-se na repetição. Assim o homem “progride”, adquire “formação de qualidade”, torna-se útil e eficiente.

E por último a composição das forças. Todo treinamento converge para um ponto máximo onde a composição de forças gera o máximo de eficiência. Uma massa amorfa de indivíduos se torna agora um único corpo maquinal para guerrear, produzir, trabalhar, reprimir, exibir conhecimento, qualquer coisa que o poder necessitar.

Na playlist as bandas Ciruela, Cosa Nostra, Los Dug Dugs, Los Free Mind, Medusa, Nahuatl e Prostitute.