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Marginália

Dialética do Esclarecimento: arte e caos

O programa Marginália dessa semana fala sobre a obra Dialética do Esclarecimento escrita em 1947 por Theodor Adorno e Max Horkheimer.

Obra fundamental da chamada “teoria crítica” das ciências sociais caracterizada pelo pensamento crítico e altamente reflexivo a respeito da sociedade moderna daquela que ficaria conhecida como a primeira geração da “Escola de Frankfurt”.

O termo “dialética”, no livro, representa as transformações constantes da vida social, de modo que a dialética defendida é aquela mais próxima da dialética hegeliana, visto que para Hegel as transformações se davam no mundo das idéias, daí passando para a vida material.

A expressão “esclarecimento” aparece como sinônimo de “Iluminismo” ou “Ilustração”, ou até do conjunto de modelos de desenvolvimento racionais que vigoram nas diversas esferas sociais, um sistema instrumentalizado que se mantém enquanto uma ideologia minando qualquer outra perspectiva de ação e pensamento que não seja a racional.

O princípio da análise na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer relacionam a conclusão de Weber com o mundo pós-guerra: o mundo racional-burocrático passa por um processo de desencantamento.

O que isso significa?  Para tentar localizar este desencantamento, eles percorrem um caminho histórico desde as sociedades indígenas, para indicar que a separação cultura X natureza é o ingrediente básico e essencial para o nascimento da divisão do trabalho como conhecemos e para o nascimento da dominação.

A natureza é o instável, é aquilo que não se conhece, mas é aquilo que se tenta sempre conhecer. O medo propulsiona o sujeito para o conhecimento e o faz interpretar a natureza de forma que ele mesmo é parte da interpretação. Aí nasce o mito. O mito é uma reflexão sobre a natureza: é uma maneira de indicar um nascimento, de explicar o presente e de evocar um futuro não tão distante.

A força do esclarecimento está, então, em sua própria contradição. O sistema vigente é sempre fortalecido na mesma medida em que faz parecer que seu fim está próximo, já que as tecnologias aumentam a possibilidade de conforto para a espécie humana ao mesmo tempo em que intensificam a exploração e a dominação.

Na playlist as bandas alemãs BAP, CAN, CRO, Deso Dogg, Die Ärzte, Die Toten Hosen e Guano Apes.