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Marginália

Dai-lhes o descanso Eterno: A morte do Petrodólar

Petrodólar

Essa semana o programa Marginália retorna de férias lançando a discussão: Estaria o Petrodólar com seus dias contatos? Na playlist o som de Fatoumata Diawara, Fémina, Melnitsa, Nicola Cruz, Nneka, Rising Appalachia, Sudan Archives, Xenia.

Pra começar essa análise, primeiro temos que entender como o petróleo começou a funcionar como lastro para a moeda norte-americana.

O Sistema de Reserva Federal tem estrutura composta por um Conselho de Governadores, pelo Federal Open Market Committee (FOMC) e pelos doze presidentes de Federal Reserve Banks regionais, além de numerosos representantes de bancos privados dos Estados, tem aspectos de natureza pública e de natureza privada, tendo sido concebido para servir tanto aos interesses do público em geral como dos BANQUEIROS PRIVADOS.

O padrão monetário do petrodólar foi adotado no início dos anos 70, após um acordo entre Estados Unidos e Arábia Saudita. O pacto envolvia a negociação de barris de petróleo em dólares da Reserva Federal, a troca de armamentos americanos e a proteção militar dos campos petrolíferos sauditas.

As regras para a negociação de petróleo também foram adotadas por outros países, qualquer nação que desejasse comprar o combustível fóssil estava obrigada a trocar sua moeda nacional por dólares americanos.

Porém, há vários anos, China, Rússia e Índia começaram a acumular reservas de ouro. Constataram que ativos sólidos irão constituir a medida da verdadeira riqueza – e não apenas imprimir dinheiro.

A dívida incontrolável e a divisão política interna nos EUA constituem claros sinais de vulnerabilidade. Os chineses e os russos, agindo proativamente, montaram sistemas financeiros alternativos para países que procurem distanciar-se da Reserva Federal.

Depois de o FMI ter aceitado o yuan no seu cesto de moedas de reserva, investidores e economistas começaram finalmente a prestar atenção. O poder econômico detido pela Reserva Federal tem constituído um fator chave no financiamento do império americano, mas estão a verificar-se rápidas mudanças geopolíticas, afinal, a reputação dos Estados Unidos vem sendo manchada por décadas de guerras não declaradas, espionagem interna em massa, e política externa catastrófica.

Em compensação a China, que vem sendo a propulsora da economia do mundo e a maior compradora de crudo, possui capacidade de pactuar com os principais países petroleiros que o petroyuan passe ser a moeda de comercialização da sua produção. Em verdade este processo já se iniciou através da Venezuela, Indonésia e Irã ao operar em contratos futuros em yuan.

A Rússia, como parceira da China, atua para convencer a última peça do oligopólio. Em 5 de outubro o rei Salmán Abdelaziz Al Saud se transformou no primeiro monarca saudita a visitar Moscou, gerou neste encontro o lançamento de um fundo de U$S 2 bilhões na área de energia. Os russos e os sauditas que já são sócios no acordo de valorização do barril organizado pela OPEP e produtores independentes, deram seguimento tratativas para enfraquecimento do petrodólar. O maior argumento é que Salmán simplesmente perderia mercado caso não aceitasse, além de ver os chineses cancelarem investimento no setor em sua nação.

A situação da China é de imenso conforto. Suas reservas cambiais montam mais de US$ 3 trilhões, detém US$ 1,3 trilhão em títulos da dívida estadunidense e emitiu semana passada títulos em US$ 2 bilhões apenas para manter a internacionalização de seu mercado financeiro.

A supremacia do dólar serviu apenas para financiar o deficit comercial e fiscal dos EUA via emissão de papel-moeda. A sua economia não possui contas controladas que possam garantir o lastro de sua moeda.