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Demo Sul 2018

Demo Sul, 18 anos de cultura independente

Demo

Quem é de casa já está habituado com o Demo Sul. Mesmo assim, é um tanto assustador perceber que o festival já entra na maioridade. Em 2018, o Demo Sul completa 18 anos e ao longo desse período coleciona boas lembranças e significativas conquistas para o circuito independente de Londrina e região.

Por Victor Assis, especial para o Demo Sul 2018
Foto de capa: Andressa Rossi – Red Mess fechando a primeira noite do Demo Sul 2018

Considerado um dos mais importantes festivais de música independente do sul do país, o Demo Sul nasceu em meados de 2001 e desde então passou a ser realizado anualmente. Marcelo Domingues, fundador e idealizador do festival, conta um pouco sobre como se deu o início do festival: “Londrina é uma cidade que sempre teve uma cena musical muito forte, a música autoral faz parte da história da cidade desde os anos 60, uma cidade que sempre revelou bons artistas e de boas bandas. Em meados dos anos 90, houve uma explosão de bandas independentes pelo Brasil, e essas bandas estavam sendo descobertas através de festivais que também começavam a pipocar por algumas praças”, comenta. Dentre os inúmeros festivais que eclodiram nesse período, Domingues lembra do Abril Pro Rock que ajudou a impulsionar uma das bandas mais importantes da década de 90, Chico Science & Nação Zumbi. Anos depois, a mesma banda viria a se apresentar no evento londrinense.

Ao todo, durante seus 18 anos, o festival já recebeu 485 bandas. Inúmeras bandas regionais se apresentaram nos palcos do festival, bandas de outras regiões do Brasil visitaram as terras vermelhas do norte do Paraná e até mesmo algumas atrações internacionais movimentaram as edições do evento.

Talvez um dos momentos mais marcantes até hoje tenha sido a vinda dos norte-americanos do Mudhoney, um dos pilares do grunge no fim dos anos 80. Em 2008, Londrina foi o primeiro destino do quarteto, que veio ao país em turnê de comemoração dos  20 anos de banda. Na mesma edição, os precursores de outro movimento musical — desta vez com maior repercussão em terras tupiniquins — se apresentavam no festival. O Nação Zumbi, expoente do manguebeat, ressaltou a riqueza e a força da pluralidade brasileira, misturando ritmos regionais como o maracatu e o frevo ao rock e o hip hop em sua apresentação.

O veterano dos festivais brasileiros, Tom Zé, também já passou por aqui. Ao lado de Jupiter Maçã, protagonizou um dos encontros mais monumentais e psicodélicos que o evento já testemunhou. Além desses, Domingues relembra com satisfação momentos com todas as 485 bandas que já passaram pelo Demo Sul, atravessando apresentações para se fixarem nas memórias de quem presenciou.

Mas para além da música em sua dimensão recreativa, o Festival Demo Sul também possui um papel importante na valorização e fortalecimento do cenário da música autoral. “A ideia inicial era conseguir transformar Londrina em um polo cultural, uma vitrine de alto nível, que disseminasse a cena musical da cidade para todo Brasil. Os quatro primeiros anos funcionaram como um laboratório, estávamos testando quais ações ‘extra show’ poderíamos realizar dentro da programação oficial do festival para contribuir para este fomento da cena e para a circulação dos artistas locais a nível nacional”, explica Domingues em relação às diferentes propostas que envolvem o festival.

Outra das inúmeras frentes do Demo Sul que não se pode deixar de salientar é a importante contribuição dos festivais para auxiliar na profissionalização da cena independente. Conforme observa Marcelo Domingues é muito importante o auxílio que dão os festivais para o fortalecimento de agentes do circuito. “De modo geral, os festivais brasileiros têm como finalidade contribuir para o fomento e a circulação da música independente, orientando na gestão do mercado musical, estabelecendo assessoria técnica para o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor auxiliando na capacitação de novos artistas e agentes culturais, estimulando a criação e o desenvolvimento de demais ações que direcionem a organização a sua auto sustentabilidade”. Além do suporte ao setor da música, Domingues cita os eventos como significativos geradores econômicos. “Citando como exemplo, em 2017, os festivais filiados ao FBA (Festivais Brasileiros Associados) geraram em torno de 5.800 empregos e serviços diretos e indiretos. Um conjunto de pesquisas recentes sobre este assunto indica que a ‘economia da cultura’ é atualmente o setor que mais cresce, mais gera renda, mais exporta e que mais emprega. Trata-se de um feito quantitativo e qualitativo. É ainda o setor que mais impacta positivamente outros setores igualmente vitais e mais gera valor adicionado. Está baseado no uso de recursos inesgotáveis (como criatividade) e consome cada vez menos recursos naturais esgotáveis. E isso quer dizer o quê? Quer dizer que seus produtos geram bem-estar, estimulam a formação do capital humano e reforçam vínculos sociais”, analisa.

Com uma programação que busca abranger um amplo prisma da música — vide, por exemplo, os principais nomes da edição de 2008 —, o festival tende a abrir espaço a novos e originais projetos musicais. De one man bands, passando por duos inesperados, chegando até a coletividade de Nação Zumbi e El Efecto, os palcos do Demo Sul são plataformas ilimitadas para a diversidade de expressões artísticas unidas pelo evento. No decorrer do tempo, seu crescimento garantiu que se tornasse símbolo importante de resistência cultural. Thiago Galletta, autor do livro “Cena musical paulistana dos anos 2010”, observa que os festivais tiveram papel fundamental na consolidação de uma cena independente como a entendemos hoje. No entanto, em tempos de dificuldade, onde a cultura já não é tema muito em pauta, o festival resiste à margem de políticas culturais. No ano passado, o Demo Sul só foi realizado graças à campanha de financiamento coletivo. Sem patrocínio público ou privado, o festival optou por possibilitar que a própria comunidade contribuísse para que houvesse a edição. Já a edição de 2018 conta com apoio de parceiros como o Bar.bearia e a AlmA Londrina Rádio Web, além do patrocínio da Cerveja Amadeus, que dão suporte para a continuidade de um tradicional evento da música independente. Afinal, estamos falando de 18 anos.

Mesmo com as dificuldades que batem à porta, todos que já passaram pelo festival parecem entrar em unanimidade quanto à sua importância. Muito mais que apenas música, o Demo Sul é lugar onde as diferenças são bem-vindas e o “novo” também. É o lugar onde a união entre artistas de sonoridades distintas contribui para que essa pluralidade permaneça existindo em harmonia e compasso. Como analisa Domingues: “O simples fato de existir um festival com o nome ‘Demo’ numa cidade dominada por conservadores, já é um ato de resistência. Há 18 anos estamos remando na direção contrária do que o mercado da música quer nos impor. As rádios da cidade não tocam os artistas da cidade, os bares ainda preferem ter em sua programação bandas covers e DJs, o espaço que a imprensa local disponibiliza ainda é muito pequeno para projetação dos nossos artistas e da música produzida aqui. E seguiremos com essa voz, gritando cada vez mais alto, até que todos possam nos ouvir. O caminho pode ser árduo e penoso, porém tudo que requer sacrifício tem uma recompensa”.

PROGRAMAÇÃO DOS PRÓXIMOS DIAS
22/11 – Local: Bar Valentino, Rua Prefeito Faria Lima, 486 (PALCO VALENTINO)
Bandas: The Mullet Monster Mafia (SP)
Luvbites (PR)
Aminoácido (PR)
Brutal Redneck (PR)

24/11 – Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis, Avenida Arthur Thomas, 342 (PALCO ALMA LONDRINA)
Bandas: Subcute (SP)
O Lendário Chucrobilly Man (PR)
Wi Fi Kills (PR)
Maracajá (PR)

01/12 – Local: Xacará Eventos (PALCO AMADEUS)
Bandas: Terrorsphere (PR)
Escopo (PR)
Eletroímãs Catalíticos (PR) Sangrano (PR)
Mhorula (PR)
Edgar (SP)
+ Baile do LP

VALORES DOS CONVITES ANTECIPADOS: 
ENTRADA INDIVIDUAL ANTECIPADA:
ENTRADA INTEIRA: R$ 50
MEIA ENTRADA : R$ 25 + 1kg de alimento na portaria
PASSAPORTE PARA 3 NOITES PROMOCIONAL: R$60 + 1kg de alimento em qualquer das noites

PONTOS DE VENDA:
Bar.bearia (Quintino Bocaiúva, 875),
La Bella Máfia Tattoos (Benjamin Constant, 1777),
Casa Madá (Gumercindo Saraiva, 74)