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Jornalismo Cultural

Chuva forte embala Festival Alternativo

No ultimo dia 20 de maio, sábado, aconteceu mais uma edição Festival Alternativo de Londrina com shows, bandas, DJ’s e muita gente se divertindo de baixo d’água. O fim de semana chuvoso e nebuloso fez o cenário caótico e apocalíptico, em que se realizou o evento no Parque de Exposições Ney Braga. Muita chuva fez com que algumas pessoas desistissem e até ficassem em casa, mas não impediu que cerca de 6mil pessoas comparecessem e fizessem a festa valer a pena mais a inda. O melhor de tudo foi que o clima tenebroso favoreceu a ambientação e o cenário.

Lá pelas 22h chegávamos ao Ney Braga, eu, Daniel Thomas, e Giovani Viecili, produtor multimídia da AlmA Londrina Rádio Web. Embaixo de tempestade, com muita água caindo dos céus, já na noite escura tentávamos adentrar ao evento, com crachás de imprensa, demos sorte, logo na chegada quem estava organizando o estacionamento era Otávio Ramos, um dos nossos colaboradores que participou da ultima edição do Palco AlmA Londrina, em dezembro do ano passado. Estávamos em casa.

Enquanto dávamos a volta o Matanza ia fazendo a trilha sonora do nosso início de noite alucinante no Festival Alternativo de Londrina. Quando enfim estacionamos, logo nos deparamos com cenas de correria. Meninos corriam para pular o muro e fugir dos seguranças com motos que caçavam na noite escura. Mas sem êxito, “peeeeeiiii”, o moleque pulou, só consegui ver a mochila e blusa pretas caindo pra dentro. Entramos…

Lá dentro já éramos aguardados por Thiago Gonçalves, do Rocksofia, feriamos juntos a produção tanto desta reportagem quanto para o programa de Thiago, “Rocksofia – Uma pancada inteligente”, programa que mistura rock, arte e filosofia. Antes mesmo de encontrarmos Thiago, acabava o show do Matanza e começava, no outro palco, CPM 22, já com clássicos do disco “Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum”, lançado nos anos 2000. Fomos para o “back stage” era hora de falar com Matanza.

Chegamos no camarim, procuramos Renata Cabreira, que comandava a Assessoria de Imprensa do Festival. Encontramos Thiago, que já havia feito um primeiro contato com a produção e agendado a entrevista, lá fomos nós pro camarim do Matanza, conversar com Jimmy London. “Fiquei impressionado com a disposição da rapaziada, que aturou um temporal radical, e isso fez a gente tirar uma força do nada pra fazer um show mais pressão ainda”, disse Jimmy, do Matanza.

Acaba o show do CPM 22 e começa o Rincon Sapiência, com seu Hip Hop pesado e diversificado. Enquanto isso…no camarim, encontramos Fernando Abreu (vocal e guitarra) e Rafa Rodrigues (baixo), do Montauk, a única representante de Londrina no “Line Up” da festa. Eles misturam rock alternativo com folk music. Tocaram músicas dos discos anteriores, “Faça Crescer Todas as Flores” e “Pés Descalços e Peito Aberto” e algumas inéditas que estarão no próximo CD. Fernando compartilha: “Foi uma experiência nova pra gente, a gente não tinha pego um festival deste porte ainda, até então, este foi o maior, mesmo com chuva a galera colou, está lotado, é uma honra pra gente tocar com tanta banda grande, e transmitir o que a gente acredita pra galera, foi muito bom, uma experiência que vamos levar pro resto da vida”.

Ainda durante o show do Rincon, encontramos Ricardo Di Roberto, o Japinha, batera do CPM 22. Com ele conversamos sobre o repertório, o show, a chuva e principalmente sobre como uma banda de punk rock/hardcore conseguiu atingir um público significativo, coisa rara. Eles mesmo só vieram pra Londrina em três ocasiões, todas tocando para milhares de pessoas, primeiro no Moringão, depois no aniversário da cidade e agora no Festival Alternativo. “Eu acho que no Brasil, quando a gente começou a tocar este som, foi uma coincidência fortuita e oportuna, da gente estar fazendo este som numa época em que tinha um espaço no pop rock brasileiro pra uma banda de punk rock”.

Foi então que o rapper Emicida subiu ao palco. Neste momento, mais uma pessoa se junta a nossa equipe de reportagem, a estudante de Publicidade e Propaganda da Unopar, Priscila Bedetti, que ingressou na rádio através do projeto de extensão universitária no ano passado, nos levando para apresentar o projeto para os estudantes da instituição. Parceria esta que resultou na contratação de Lígia Fogolin para o Palco AlmA do ano passado, nosso trunfo na organização do festival da AlmA Londrina.

E assim, fomos lá, pra próxima entrevista, com o Rafael Brasil, do Far From Alaska. Rafa muito gente boa, falou sobre a ultima vinda do FFA pra Londrina, um pouco da cena de Natal, no Rio Grande do Norte, terra do Do Sol, grande festival do Brasil. Também falamos um pouco sobre a viagem do FFA para os EUA, especificamente em Ashland, Oregon, onde tiveram a experiência de gravar com Sylvia Massy, que já produziu Tool, System Of a Down, Johnny Cash e Red Hot Chilly Peppers. Rafa contou: “Foi Surreal viver essa experiência, nós passamos um mês lá gravando este disco e estamos doidos pra lançar”.

Depois dessa, falamos com Rincon Sapiência, MC que se apresentou com acompanhado do DJ Luis Rodrigues. Suas letras trazem muita consciência social, são  fortes e pesadas. Rincon trouxe a questão: “Durante os últimos anos tivemos avanços, da classe mais pobre conseguir expandir mais, ingressar nas universidades, ter um poder maior de consumo. Porém, a pobreza ainda existe, ainda existem pessoas com renda de R$3,00 por dia, tem pessoas que trabalham e recebem R$40,00 por semana, ainda existem Quilombos e territórios Indígenas que são invadidos”.

Além dos shows com as bandas já mencionadas, tivemos Emicida, Karol Comka e Cidade Negra. Os shows foram divididos em dois palcos, haviam mais dois ambientes com música eletrônica, incluindo DJs nacionais e internacionais. A praça de alimentação estava  com mais de dez food trucks. O publico foi menor do que o esperado, mas diante da chuva não tinha muito o que fazer.

Realizado desde 2013 pela LWD Entretenimento, essa foi mais uma edição do Festival Almternativo de Londrina. A banda Costa Gold não compareceu, assim como alguns DJs do Line Up, Deu muito o que dizer nas redes sociais, mas é preciso compreender. O aeroporto de Londrina estava fechado por conta da chuva forte e alguns artistas não puderam contornar a situação.

Os artistas Emicida e Carol Conka, estavam putos por causa dessa situação e não quiseram dar entrevista, segundo suas equipes de produção. Tony Garrido, do Cidade Negra, disse que estava focado no show e não poderia dar entrevista naquela noite, mas prometeu que faria em outra oportunidade. Estamos esperando. Fora isso, o Festival Alternativo de Londrina foi animal, as tentas de música eletrônica estavam fritantes também, aguardamos ansiosos pela próxima edição.