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Marginália

Brasil, líder no ranking de ativistas mortos

Ativistas

O programa Marginália dessa semana fala sobre o exorbitante número de ativistas mortos e ameaçados no Brasil. O caso Marielle Franco gerou muita comoção e controvérsias nos últimos dias. Porém a vereadora, símbolo da luta dos marginalizados no Rio de Janeiro, é apenas um das dezenas de nomes de ativistas ameaçados e mortos em todo país.

Cinco dias antes da morte de Marielle foi assassinado o representante da Associação de indígenas e quilombolas, que denunciava crimes ambientais em Barcarena, nordeste do Pará. Paulo Sérgio Nascimento tinha 47 anos. Um dos integrantes da associação chegou a procurar a Promotoria Militar para dizer que as lideranças vinham sendo perseguidas por policiais e que as ameaças começaram depois de denúncias contra a Hydro Alunorte, grupo Norueguês que contaminou o Rio Pará.

O Brasil está no topo da lista dos países onde mais ativistas ambientais e da terra foram mortos em 2015, com 50 casos, segundo o levantamento Em terreno perigoso, divulgado pela organização não governamental Global Witness. Em todo o mundo, foram 185 ativistas assassinados no período, segundo a entidade. É o maior número de mortes por ano de ambientalistas já registrado pela entidade e representa aumento de 59% na comparação com 2014.

Entre os assassinatos no Brasil também podemos citar a do líder comunitário Antônio Isídio Pereira da Silva, encontrado morto na véspera do Natal no povoado de Vergel, no município de Codó (MA), após uma semana desaparecido. “Este líder de uma comunidade de pequenos agricultores do estado do Maranhão sofreu ameaças de morte durante anos por denunciar a exploração ilegal de madeira em suas terras. A polícia nunca investigou o assassinato dele”, denuncia a Global Witness no relatório.

De acordo com o site da Folha de São Paulo o governo brasileiro ignorou cartas da ONU sobre ameaças recebidas por 17 ativistas, a Organização das Nações Unidas exigiu investigações “independentes e rigorosas” no caso Marielle. Outras entidades internacionais, como Anistia Internacional, Human Rights Watche Transparência internacional, também criticaram a situação do país e pediram respostas rápidas ao crime.

Na Europa, a reação também foi imediata. O porta-voz do partido espanhol Podemos, Miguel Úrban, condenou na Comissão Europeia o assassinato da vereadora brasileira Marielle Franco. Ele pediu para que a Comissão condene publicamente a morte da vereadora e suspenda as negociações do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.