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Marginália

A Pedagogia da Esperança

Essa semana o programa Marginália discute a pedagogia de Paulo Freire ao som de Fresku, Los Chicos del Maiz, Mo$heb, Riot Propaganda e Stuck Mojo.

A Pedagogia do Oprimido se justifica desde a experiência histórica dos oprimidos, o grito dos oprimidos e nos abre caminhos para a mútua relação entre Ética e Educação, ou seja, a educação se fundamenta na ética.

Não desejou a princípio, elaborar uma ética propriamente dita, nem elaborar um discurso sobre a ética, porém seu trabalho de educador se volta para a práxis educativa e, singularmente, nela faz vingar uma ética. Este modo de conceber constitui-se numa ética pedagógica libertadora, cujo intento é produzir uma efetiva emancipação e um processo de tomada de consciência de nossos povos latino-americanos, marcados pela opressão, dominação e dependência.

A principal crítica que Freire faz ao modelo de educação vivido nos anos em que escreve a sua obra é que a educação bancária considera apenas o educador como sujeito, pois o educando será somente “depósito” receptor de conteúdo, memorizados ingenuamente, mecanicamente sem a devida participação e dialogicidade, própria de um processo de ensino-aprendizagem, onde educadores e educandos aprendem e ensinam, mediatizados pelo mundo.

“O diálogo é uma exigência existencial”; “Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens”. “O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu” (FREIRE, 2005, p.91).

A esperança é necessidade ontológica; a desesperança, esperança que, perdendo o endereço, se torna distorção da necessidade ontológica”. A esperança é um imperativo existencial e histórico. A desesperança é imobilizadora da ação, faz crer no fatalismo de que não é possível mudar ou recriar o mundo. Mas à esperança é preciso juntar a consciência e ação crítica, porque a “[…] esperança é necessária mas não é suficiente. Ela, só, não ganha a luta, mas sem ela a luta fraqueja e titubeia”. Por isso a esperança precisa apoiar-se em uma práxis. “Enquanto necessidade ontológica a esperança precisa da prática para tornar-se concretude histórica”