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Marginália

A mentira contada sobre o índio como invasor

índio invasor

O programa Marginália propõe tratar nessa edição sobre as datações da presença dos povos indígenas no território hoje denominado estado do Paraná, para desmistificar a falácia das terras devolutas (ou terras de ninguém) apregoada a ele durante sua colonização.

Ao pesquisarmos sobre o trabalho dos arqueólogos, ou mesmo sobre o acervo disponibilizado pelo Museu Paranaense em Curitiba, como também nos Museus de Santo Inácio, Guaíra, Cambé, no Museu da Uem e no existente no interior Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santos, em Fênix, todos no estado do Paraná, nos deparamos com registros de paleoíndios, que chegaram ao Paraná há mais de quinze mil anos, migrando da costa do Pacífico e adentrando pelo centro-oeste sul-americano, por áreas andinas e amazônicas, encontrando aqui um clima diferente do atual, mais frio e seco, com a vegetação predominante de campos e cerrados, nominados como tradição Umbu, Humaitá e Sambaqui.

Os primeiros povos ceramistas e agricultores chegaram ao Paraná há quatro mil anos, vindos do planalto central brasileiro. Eram populações Proto-Jê, também denominadas Itararé-Taquara, ancestrais de indígenas da família linguística Jê : Kaingang e Xokleng, que vivem até hoje no sul do Brasil, e que se miscigenaram com os antigos caçadores-coletores que aqui estavam.
Há dois mil anos chegaram ao Paraná populações da família linguística Tupi-Guarani, os Tupiguarani, ancestrais de índios Tupi e Guarani, cujos descendentes vivem até hoje no Brasil e em países vizinhos. Vieram provavelmente da Amazônia, ocupando primeiro o norte e oeste paranaense, para depois fundarem aldeias no planalto curitibano e litoral.

A colonização paranaense pelos europeus, teve início apenas a partir do tratado de Tordesilhas assinado por Portugal e Espanha em 1494. E a partir de 1544 fundam-se as primeiras cidades Espanholas em solo Paranaense, sendo a primeira Ontiveros, e nos anos que se seguiram Ciudad Real do Guairá e Vila Rica do Espírito Santo.

Sem dinheiro para colonizar todo o território, e no objetivo de estabelecer cidades para evitar o avanço dos portugueses, a coroa espanhola fecha um acordo com a Companhia de Jesus. Com a chegada dos jesuítas inicia-se o contato com os Guarani e se estabelecem até 1630 mais 13 reduções que vão desde o primeiro planalto paranaense até a atual divisa com o MS e o Paraguai, chegando a ter cerca de 100.000 índios.

Com o avanço dos Bandeirantes buscando índios para trabalharem como escravo, os jesuítas e os Guarani iniciam uma fuga sangrenta que é retratada no filme A Missão, com Robert de Niro e Jeremy Irons.

A última e decisiva devastação das comunidades indígenas no território hoje paranaense começa com a colonização do norte novo e do norte novíssimo, a partir do início do sec. XX. Depois de cerca de 14.900 anos de registro dos povos indígenas habitando o estado do Paraná.

Índio não invade terra, índio perdeu as terras para os povos invasores. A terra e muitas vidas.