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Jornalismo Cultural

Por dentro da ocupação do Aguilera

Por Giovanni Porfírio

Alunos do colégio Maria Aguilera tiveram que deixar o colégio após duas semanas de ocupação

Desde o dia 3 de outubro, 850 escolas estaduais foram ocupadas em todo o Paraná contra a PEC 241, que a estabelece um teto de gastos, e a reforma do Ensino Médio, anunciada pelo presidente Michel Temer. No país, 21 estados mais o Distrito Federal têm escolas e institutos ocupados por estudantes. Só no Paraná, 14 universidades e 3 núcleos de educação também aderiram à paralisação.

Em Londrina, de 32 escolas estaduais, nove já foram desocupadas, sendo que quatro já receberam o pedido de reintegração de posse. Uma das unidades desocupadas foi o Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera, que fica na zona Sul da cidade. Ocupado há 2 semanas, os alunos receberam um termo de reintegração e tiveram que deixar o colégio no último dia 26 de outubro. Um dia antes, a AlmA Londrina Rádio Web esteve na unidade e apresentou um Rádio Poste, onde os alunos puderam ouvir um pouco dos artistas que estarão no Palco Alma do próximo domingo, dia 30 de outubro.

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Nós conversamos com a responsável pela comissão de oficinas e comunicação, a aluna Mariana dos Santos Carvalho, de 17 anos. Ela cursa o terceiro ano do ensino médio no colégio e ficou responsável por trazer oficinas durante o período em que permaneceram ocupados. Segundo a aluna, as atividades são importantes “só para não deixar maçante o dia a dia, mas também para trazer experiências novas para a gente”, diz. O grupo ainda mantém uma página no Facebook onde realizam postagens sobre a ocupação.

Mariana avalia o movimento, e fala da experiência adquirida durante as duas semanas em que permaneceu na instituição. “Se você quer lutar pelos seus direitos, você tem que ter uma forma vai impactar. Acho que a melhor forma de impactar hoje no Brasil é ‘impactando’. Mas o que eu levo mesmo de toda essa experiência é que se você quer lutar pelos seus direitos, você tem que impactar e estar seguro daquilo, sabe? E eu me sinto muito segura hoje, do que eu quero, do que eu acho, e por isso que eu estou aqui”, afirma a estudante.

Ela fala que perdeu amizades com a ocupação. “Gente que não soube dividir as coisas e respeitar a minha opinião sobre as coisas, a minha luta, e que eu vi que não valiam a pena na minha vida. Então se você acredita numa causa, você tem que acreditar nela realmente até o fim”, diz. A aluna espera que, ao retornarem, os estudantes tenham o apoio dos professores. “A gente espera espaço, pelo menos, para que a gente possa falar sobre o que foi a ocupação. Acho que no mínimo isso. Mesmo que eles não concordem, mesmo que a turma toda não concorde. Espero que os professores não nos critiquem”, diz.

Ao final da entrevista, ela deixou uma mensagem aos alunos que ainda permanecem ocupados na cidade. “Já é um sacrifício o que a gente está fazendo. A gente tá sacrificando o nosso próprio estudo, para que na frente a gente tenha algo melhor. Então, não desistam, enquanto vocês puderem levar, levem, só que evitem o conflito, com polícia. Mas resistam até o final. Mostrem que vocês estão saindo, mas estão saindo com a cabeça erguida. Mesmo que aquilo não tenha o resultado que a gente espera, pelo menos a gente tentou”, afirmou a aluna.

Algumas questões a respeito das ocupações ainda preocupam, como a disponibilidade dos colégios para a realização do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. As provas irão ocorrer nos dias 5 e 6 de novembro. O governo federal deu um prazo até a próxima segunda-feira, dia 31, para que as escolas sejam desocupadas e não comprometam a realização do exame. Caso a recomendação não seja atendida, as provas serão canceladas nesses locais.

Foto: Lígia Fogolin