Jornalismo Cultural

Otávio Santos e o gosto por trilhas sonoras

Por Giovanni Porfírio

Londrinense vai embalar a ginástica rítmica na Rio 2016 com sua música

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Um compositor da cidade que vem mostrando seu trabalho para o mundo. Otávio Santos é formado em Música pela UEL e esteve em Londrina durante o Festival Internacional de Música, ministrando cursos de trilha sonora para cinema. Ele também vai compor a música que vai embalar a ginástica rítmica nas Olimpíadas deste ano, no Rio de Janeiro. Ele falou sobre como descobriu a vocação:

Otávio: “Bom, isso vem desde pequeno, sempre gostei muito de filme, desde pequeno assistia o mesmo filme repetidas vezes, também gostava muito de música…tinha um ou outro álbum, LP, que eu gostava e ficava ouvindo, ouvindo, ouvindo, sem parar. E mais ou menos quando eu cheguei na adolescência eu percebi que eu poderia juntar essas duas paixões que é música e o filme. Então antes de eu entrar na UEL, fiz o curso de música, eu já tinha essa intenção de seguir trabalhando com música para filme, para audiovisual”.

O músico fala como começou a compor músicas para a seleção brasileira de ginástica rítmica:

Otávio: “A ginástica eu nunca pensei em fazer, na verdade. Surgiu o convite para mim em 2011, a técnica da seleção, Camila Ferezin, recebeu minha indicação. Alguém falou que eu era compositor, arranjador, e aí ela me ligou e perguntou se eu não poderia fazer um arranjo para seleção brasileira de ginástica rítmica. Eu topei, deu super certo, mas não foi algo que eu planejei, foi uma surpresa grata, mas não planejada”.

Sobre o processo de produção, Otávio afirma que tanto para o cinema quanto para a modalidade olímpica, a composição das trilhas tem sua dificuldade:

Otávio: “É igualmente difícil, só que por motivos diferentes. A questão do cinema, a gente tem que atender a uma série de expectativas do diretor, de quem está produzindo o filme. A música tem um papel dramático bastante intenso, então ela tem que cumprir uma série de quesitos, por vezes, ficar fixo a um gênero específico que me foi pedido. Na ginástica, eu tenho mais liberdade, em questão de gêneros, de transitar entre um e outro, só que a dificuldade é o conflito das linguagens mesmo.

Você pegar uma coreografia, tem uma forma de pensar, de montar, de elaborar ela… e a música tem outra. Então eu penso por exemplo, em compassos, elas pensam em passos, e nem sempre esse pensamento se junta de uma maneira fácil ou pacífica, então é uma série de ajustes técnicos às vezes que eu preciso fazer na música para conseguir sincronizar na coreografia delas, então é bastante difícil. Eu estou com elas há cinco anos, tem ficado mais fácil, mas cada trabalho é um desafio novo. O conflito das linguagens é bastante grande”.

Otávio fala da sensação de ver um trabalho de autoria própria exposto para o mundo inteiro!

Otávio: “É algo que não tem muita explicação, né? Como eu te disse, a ginástica entrou na minha vida profissional de uma maneira muito surpresa para mim, e desde o começo eu abracei com muito carinho esse trabalho, mas não tem como negar que a minha ansiedade de ver essa música acontecendo, ainda mais essa música que teve a participação da Ivete Sangalo, e que vai acontecer para as olimpíadas do Brasil… Então não tem como deixar de sentir que eu estou lá junto com elas.

Eu mesmo sabendo que a música está pronta, que elas tão ensaiando a coreografia, ainda fica aquele sentimento “tomara que a música dê certo na hora”. É como eu fizesse parte do time, mas tivesse competindo à distância. Eu me sinto quase que da família das atletas. Então é uma sensação que eu nunca imaginei, que veio como uma surpresa maravilhosa na minha vida… e espero que elas consigam alcançar, porque elas têm todo o mérito, todo merecimento, é um trabalho árduo que elas fazem, e eu estou ansioso para ver! Tomara que elas consigam resultados também surpreendentes”.

Foto: Divulgação

 

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