Jornalismo Cultural

Marcha das Vadias discute cultura do estupro

Por Jéssica Santos

Em sua 5ª edição, o movimento feminista quer reforçar o combate a violência sexual e o crescente número de assassinatos de mulheres negras

Neste sábado (2), a partir do meio dia, Londrina acontece a 5ª edição da Marcha das Vadias em Londrina. O evento vai reunirpessoas em uma manifestação contra o machismo e a violência contra a mulher. A partir das 11h da manhã, os manifestantes estarão no Calçadão, em frente às Lojas Pernambucanas, para organizar as primeiras ações. O tema deste ano será “Contra a cultura do estupro: ser mulher, sem temer”.

A escolha do tema chama a atenção para o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, abusada por mais de 30 homens. A intenção é reforçar a necessidade de medidas para combater a “cultura do estupro”, uma prática que naturaliza a violência sexual contra crianças, adolescentes e adultas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que a ameaça é real. O Fórum apontou que em 2014 foram 47.646 estupros no Brasil, o que significa pelo menos 130 mulheres violentadas diariamente no País.

O Paraná é o terceiro Estado com maior número absoluto de estupros no mesmo ano, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Já em 2015, foram 4.119 ocorrências registradas nos municípios paranaenses, conforme informações da Polícia Civil, o que indica uma média de 11 estupros diários denunciados apenas no estado. Medo de julgamento, vergonha e o tabu impedem muitas pessoas de denunciarem esse tipo de crime, o que leva à subnotificação.

Além disso, a Marcha deste ano destaca a falta de políticas específicas para o combate de assassinatos de mulheres negras. Conforme o estudo Mapa da Violência 2015, entre 2003 e 2013 o número de mulheres negras mortas cresceu 54%, no Brasil, enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10%. Ainda de acordo com a pesquisa, no total, 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos no ambiente doméstico, e em 33,2% dos casos os homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

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