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Marginália

Emma Goldman, Maria Lacerda, Pagu… Luzes del Fuego

O programa Marginália dessa semana faz uma brincolagem entre a entrevista de Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha” e a história de mulheres que lutaram contra os padrões morais da sociedade paternalista.

Em entrevista ao El País, Bauman, filósofo e pensador pessimista, aos mais de 90 anos de idade, fala sobre a sociedade contemporânea, mas parece fazer uma análise sobre os acontecimentos atuais no Brasil:

Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas… A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos.

Em seguida, o programa aborda mulheres que se dedicaram a lutar pelos direitos de gênero em ações de militância direta, como a paulista Patrícia Rehder Galvão: a Pagu.

Ativista, trabalhou em importantes jornais, entrevistou Sigmund Freud e assistiu à coroação de Pu-Yi, o último imperador chinês. Por intermédio dele Pagu conseguiu sementes de soja, enviadas ao Brasil e introduzidas na economia agrícola brasileira.

Foi à União Soviética e registrou em ‘Verdade e Liberdade’ sua decepção com o comunismo: “o ideal ruiu, na Rússia, diante da infância miserável das sarjetas, os pés descalços e os olhos agudos de fome“. Filiou-se ao PC na França, onde faz cursos na Sorbonne. Presa como militante comunista estrangeira, em 1935, cumpre 5 anos e mais seis meses por recusar a prestar homenagem a Adhemar de Barros em visita ao presídio. Rompe com o partido ao sair da cadeia.

Outra mulher abordada é Maria Lacerda de Moura: escritora, militante, jornalista, conferencista, educadora e pensadora, considerada pioneira do feminismo no Brasil, diferente das outras feministas da época. Visualizava e criticava a condição das mulheres observando a questão da exploração do trabalho, ou seja, seu feminismo observada a realidade das mulheres operárias.

Envolvida com o movimento anarquista brasileiro, sua luta era contra todo tipo de exploração, injustiça e preconceito. Antes mesmo de assumir seus ideais feministas, quando ainda morava em Barbacena, era uma líder popular, incentivou a construção de casas populares para a população carente e ajudou fundar a Liga contra o Analfabetismo.

Na playlist Asian Dub Foundation, Ana Tijoux, Sole w DJ Pain, Os Replicantes, Zélia Duncan, Maquinado, Rita Lee e Cassia Eller, Chico Buarque, Elis Regina e Alzira Espíndola.

Sejamos as desertoras da família, as desertoras sociais, a individualista livre: para pensar e sonhar e viver em harmonia com a nossa própria consciência.” (Maria Lacerda)

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