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Conexão Nova Cena

Conexão 2017 na vibe do disco do NOFX

O programa começa o ano de 2017 com o último disco da banda californiana NOFX. “First Ditch Effort”, lançado em outubro de 2016 é o primeiro disco de um NOFX assumidamente maduro, pós-rehab, encarando sua meia idade, seus medos e com uma sinceridade ímpar em seu conteúdo.

Isso só foi possível após o livro “Na Banheira Com Hepatite e Outras Histórias”, onde a banda além de criar um dos livros biográficos mais barra-pesada que se tem notícia no mundo da música, acabou por fazendo uma gigante terapia de grupo mesmo que involuntariamente, entendo assim melhor sua posição e posturas dentro do cenário punk e no mundo, como individuos e como conjunto musical.

A troca entre disco e livro é total, produtos que dialogam em um nível quase complementar, mas claro que isso não impede o ouvinte casual de curtir mais um belo álbum de punk rock melódico. Mas sim, quem sacar um pouco mais de inglês e/ou tiver lido o livro, vai pegar o quanto o disco é uma gigantesca auto-referência, e como os temas abordados, bem como seus pontos de vista, são diretamente ligados a quem os quatro individuos do conjunto são hoje.
Cheio de participações especiais (Chris Schifflet, Fletcher, Karina Deniké etc), muitos pianos e teclados (alguns bem discretos, é bem verdade) e nenhum ska, “First Ditch Effort” é dos discos mais densos do grupo. Musicalmente bem pensado, com espaço inclusive para uma semi-balada -a desesperadoramente confessional “I´m So Sorry Tony”, sobre a morte de Tony Sly- o álbum mostra ainda mais maturidade, sabendo inclusive ser punk esporrento como se tivessem 20 anos, como no single “Six Years On Dope” e na faixa título do cd. Por outro lado, “Generation Z”, que encerra o trabalho, é uma faixa épica como poucas vezes o NOFX arrisca fazer, com seus cinco minutos de duração.

Dentre outros, destacamos ainda “Sid And Nancy” – punk rock, lançado anteriormente em 7”; “I Don´t Like Me Anymore” – canção punk que é a cara da persona Cokie The Clown; e “I’m a Tranvest-Lite”, canção melódica onde Fat Mike fala, bem como no livro, sobre sua opção de assumir sua porção cross-dresser. Genialmente sincero.

“First Ditch Effort” é um dos melhores discos do NOFX dos últimos tempos, e poderia até ser auto-intitulado de tanto que esbanja identidade, e como fica claro como o grupo será outro (em muitos níveis) depois destes lançamentos (disco e livro). “Live Fast, Die Punk”, sacou?

Fonte:  http://zp.blog.br/?m=reviews&t=1&id=2537